Por que preservar as fitas magnéticas?

As fitas magnéticas foram meios de gravação e reprodução audiovisual que se popularizaram a partir dos anos 1970, principalmente com a introdução do sistema de videocassete doméstico no formato VHS. Com o avanço das tecnologias digitais (como os DVDs), estes formatos foram sendo gradualmente substituídos e ficando obsoletos, com a descontinuidade de produção de equipamentos de gravação e reprodução, e o esquecimento de um grande volume de gravações deste período.

O Projeto Alerta sobre Fitas Magnéticas (MTAP) foi uma iniciativa da UNESCO e da IASA que evidencia a perda deste patrimônio cultural. O alerta considera que por volta do ano de 2025 as máquinas de reprodução e aparelhos de gravação se tornam cada vez mais obsoletos ou indisponíveis, com peças de reposição escassas e cada vez menos especialistas técnicos capazes de mantê-los.

Visando contribuir para a preservação destes suportes, esta cartilha irá apresentar os principais fatores de deterioração das fitas magnéticas e algumas boas práticas que auxiliam pessoas, grupos ou organizações que precisem lidar com este tipo de coleção, considerando que o conhecimento especializado necessário para manusear e preservar os formatos de fita magnética também se tornam mais escassos com o passar dos anos.

Diferentes formatos

Há uma grande diversidade de formatos entre os meios magnéticos. Uma parte essencial do trabalho de preservação destes suportes é conhecer as especificidades destes diferentes formatos e suas compatibilidades/incompatibilidades, evitando danos durante o processo:

Características e vulnerabilidades das fitas magnéticas

Mesmo armazenadas em condições ideais, as fitas magnéticas têm vida útil limitada e são suscetíveis à deterioração por diversos fatores. Conhecer os componentes materiais das fitas é importante para garantir a sua preservação. As fitas magnéticas podem ter diferentes formatos e composições químicas (óxidos metálicos, dióxido de cromo, partículas metálicas), sendo os seus principais componentes físicos:

Outro aspecto importante a ser considerado são os sistemas de cor. A codificação da cor varia, dependendo da região geográfica do material e de seu público, o que exige uma verificação apurada e a compatibilidade de equipamentos ou transcodificadores, caso contrário isso pode acarretar em problemas de cor ou ausência dela:

Para vídeos com alcance global, é importante verificar a compatibilidade dos aparelhos de reprodução. Existem alguns equipamentos "multi norma" ou "multi standard" que conseguem reproduzir NTSC e PAL, mas a compatibilidade deve sempre ser conferida para evitar problemas de distorção de som e imagem.

É importante reforçar o caráter de marcador temporal deste tipo de suporte: a qualidade da imagem e som em vídeo é reflexo de sua época, dos equipamentos de gravação. Preservar estes materiais significa guardar conteúdos, lugares e tempos específicos, que podem ser acessados e aproveitados por gerações posteriores.

Cuidados e manuseio

Assim como objetos e documentos que consideramos valiosos, as fitas magnéticas devem ser tratadas com atenção, exigindo manuseio cuidadoso, limpeza e bom senso:

Fatores de degradação e condições de armazenamento

Como apontamos anteriormente, as mídias magnéticas são suportes frágeis, sujeitas a danos por diversos fatores e, principalmente, pela obsolescência dos formatos e falta de peças de reposição devido à interrupção da fabricação pela indústria, colocando-as numa posição de risco extremo. Alguns dos principais fatores de degradação são:

Para mitigar estes fatores, é fundamental que as mídias estejam em condições adequadas de armazenamento, garantindo uma vida útil mais ampla:

Práticas de preservação

Identificação, inventário, diagnóstico, catalogação, acondicionamento, limpeza, manutenção e, como ressalta o arquivista audiovisual Ray Edmondson, o acesso: "preservação e acesso são duas faces da mesma moeda".

Estas práticas devem ser abrangentes quando se trata dos meios magnéticos, levando em conta as próprias coleções de fitas (seja qual for sua origem: caseira, TV, produção de coletivos, registros de história oral, etc) e também a documentação associada a estas fitas, documentos fundamentais para contextualização dos mesmos. Nesse sentido, é importante reiterar a importância de ter condições materiais e técnicas para a manutenção e operação dos equipamentos de reprodução.

Diferente dos filmes em película, o conteúdo das fitas magnéticas não é visível a olho nu, tornando-as totalmente dependentes destes equipamentos para a reprodução que a cada dia se tornam mais obsoletos e de difícil acesso.

Além de tudo que já foi apontado acima, algumas boas práticas de preservação incluem:

Referências

O Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo que desde 1991 se dedica a preservar e disseminar histórias de vidas de toda e qualquer pessoa. Para desenvolver este material, contou com a parceria da WITNESS, organização global que auxilia pessoas a usar a tecnologia audiovisual para contar suas histórias, e em defesa dos direitos humanos.

Conheça mais em:

Ficha Técnica

Coordenação de Projeto: Felipe Rocha

Coordenação da Produção: Marcos Terra

Pesquisa e textos: Felipe Rocha

Consultoria Técnica: WITNESS

Revisão Técnica: Ines Aisengart Menezes, Mariela Cantú

Projeto Gráfico: Mariana Afonso

Web desenvolvimento: Elsa Villon

Museu da Pessoa

Associados: Ana Wilheim, Carla Nóbrega, Carlos Seabra, Carolina Misorelli, Celia Picon, Cláudia Leonor, Elza Lobo (in memoriam), Fernando Von Oertzen, Heloísa Nogueira, Immaculada Prieto, Iris Kantor, José Santos Matos, José Guilherme Mauger, Karen Worcman, Luiz Egypto de Cerqueira, Marcia Trezza, Maria Francisca dos Santos e Passos, Mauro Malin, Roberto da Silva (in memoriam), Rosali Nunes Henriques, Rosana Miziara, Sandra Sinicco, Sergio Ajzenberg (in memoriam), Sonia London, Silvia Carvalho, Zilda Kessel

Conselho Diretor: Karen Worcman (Presidente), Beatriz Azeredo, Denise Barbosa, Jairo Duarte, Maria Francisca dos Santos e Passos, Marcos Oliveira, Tom Mendes

Conselho Fiscal: José Guilherme Mauger, Leandro Salatti, Antonio Salles

Comitê Honorário: Alberto Dines (in memoriam), Celia Picon, Danilo Miranda (in memoriam), Eliezer Batista (in memoriam), José Eduardo Bandeira de Mello, Lisandra Alves, Octavio Barros, Paul Thompson, Paulo Nassar, Roberto da Silva (in memoriam), Tom Gillespie, Wellington Nogueira

Comitê Gestor: Beatriz Azeredo, Carla Nobrega, Gustavo Gonzaga, Tiago Lara

Comitê de Compliance: Cynara Reinert, José Guilherme Mauger, Luiz Egypto de Cerqueira, Maria Francisca Passos

Comitê Curatorial: Bel Santos Mayer, Barbara Trugillo, Paulo Endo

Direção Executiva: Karen Worcman, Marcos Terra

Relações Institucionais e Governamentais: Rosana Miziara, Anna Miranda

Museologia: Lucas Lara, Felipe Rocha, Renata Pante, Beatriz Saghaard, Teresa de Carvalho, Paola Valentina Xavier, Priscila Gomes, Estfani da Costa, Jefferson Trindade, Charles Pankararu, Nicolau da Conceição, Grace Jacobson

Colaboração: Marcela Lanza Tripoli, Marcia Trezza, Jonas Samaúma, Aline Scolfaro, Sônia Helena London, Levi Andrade

Museu Digital: Odilon Gonçalves, Amanda Lira, Isadora Catem Santos, Leandro Almeida, Thiago Magalhães, Ariane Permonian, Ana Gomes, Milena López

Gestão e Operação: Allan Russo Fava, Dalci Alves da Silva, Eduardo Valente, Juliana Gervaes, Larissa Pinna, Lucas Torigoe, Ane Alves, Bruna Gelangauskas, Lynda Dixon, Alice Silva, Luiza Gallo, Bruna Ghirardello, Samantha Xavier, Sofia Petro

Este material e as demais ações deste projeto foram realizados com recursos por meio do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.